Era uma manhã. Com a janela fechada, meus olhos permaneciam imóveis. Eu pensava em você. Me perguntava o porquê de você ser a pessoa mais importante pra mim. Eu não conseguira te esquecer, mas continuava a me enganar. Tentava fingir pra mim mesma que você não existia. Você sequer pensava mais em mim e eu ali, gastando minha manhã, meu humor, perdida em lembranças nossas ao tentar entender porque você continuava ali.
Estava me cansando de tentar parecer alguém feliz. Eu não estava feliz. Eu estava infeliz e incompleta. Você sabia com certeza que quando eu disse que você me fazia sentir feliz e completa, eu havia dito a verdade. E que quando eu prometi que te esperaria o tempo que fosse, foi sincero. Porém esta última promessa talvez estivesse se tornando uma mentira. Eu estava enlouquecendo e definhando. Morrendo sem você. E continuava tentando parecer bem. E fazia isso pra tentar lhe despertar algum sentimento incômodo. Quem sabe assim, você se lembrasse de nossos momentos felizes e viesse ao meu encontro dizer que tudo ruim foi um engano e que eu era a pessoa certa pra você. Sonhava, mas era apenas um sonho.
Meus olhos já não estavam mais imóveis. Eu tentava agora secar todas as lágrimas que relutei em guardar para mim quando tudo acabou. Agora elas estavam ali, caindo... mas sabe por quê? Porque cansei de dizer pra todos e pra mim mesma que já não te queria, que não precisava de você. Não é bem assim! Eu te amo! Como isso poderia ser verdade? Me pergunto se você acreditou em minhas recentes omissões e na máscara que criei de um Arlequim. A verdade é que eu sou um Pierrot. Nossa vida é um carnaval inquieto e que por mais que acabe em um ano, sempre acontecem outros carnavais.
Agora me levantava. Me preparava para vestir toda a fantasia e encenar o próximo capítulo do meu teatro doentio. Talvez eu estivesse louca. Mas ainda há um quê de realidade habitando um pequeno lugar do meu corpo. Uma realidade triste e feliz, de amar você.